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31 dezembro 2025

Estatais federais têm maior deficit da série histórica

 

    Reduzir o tamanho do Estado (a parte ineficiente) é algo que não faz parte dos planos de Lula. 

    Uma das primeiras providências que tomou ao vencer (?) a disputa pelo Planalto em 2022 foi deixar claro que praticamente acabaria com o PND (Plano Nacional de Desestatizações). Assim foi feito. 

    Aqui não se advoga a tese de que seja possível o Brasil se desfazer da noite para o dia de uma centena de empresas, algumas tão complexas como a Petrobras. O que é necessário é planejar o desembarque do Estado. 

    No governo anterior, foi privatizada a BR Distribuidora. O Brasil era dono de postos de gasolina Hoje, não é mais. É difícil encontrar alguém sensato que defenda com um argumento sólido a necessidade de o Estado brasileiro ser dono de postos. 

    Muitas outras empresas poderiam também ser privatizadas. Sob Lula essa possibilidade inexiste. Para a administração petista, o deficit das empresas estatais na casa dos bilhões de reais não é rombo, mas investimento “com dinheiro que estava em caixa”.




Quando o talento é o produto, você paga o que for preciso para mantê-lo

    De acordo com dados financeiros que apresentou a investidores, a OpenAI paga a seus funcionários mais do que qualquer outra grande startup de tecnologia na história recente. A remuneração baseada em ações da empresa em 2025 atingiu uma média de US$ 1,5 milhão por funcionário, em média, considerando sua força de trabalho de aproximadamente 4.000 pessoas.

    Isso é mais de sete vezes maior do que a remuneração baseada em ações divulgada pelo Google em 2003, antes de seu IPO em 2004. Os US$ 1,5 milhão representam cerca de 34 vezes a remuneração média de funcionários de outras 18 grandes empresas de tecnologia no ano anterior à abertura de capital, segundo uma análise do Wall Street Journal com base em dados compilados pela Equilar. A análise examinou os principais IPOs de empresas de tecnologia dos últimos 25 anos.

    Remuneração baseada em ações antes do IPO, em dólares ajustados pela inflação de 2025, entre as principais empresas de tecnologia que abriram capital desde 2000. 👇

    Para manter sua liderança na corrida da IA, a OpenAI está distribuindo pacotes de remuneração em ações para seus principais pesquisadores e engenheiros, tornando-os alguns dos funcionários mais ricos do Vale do Silício. As bonificações em ações estão aumentando os grandes prejuízos operacionais da empresa e diluindo rapidamente a participação dos acionistas existentes.

    Com a intensificação da corrida armamentista da IA ​​neste verão, laboratórios de ponta como a OpenAI sofreram pressão para aumentar a remuneração de seus funcionários depois que o CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, começou a oferecer pacotes de remuneração no valor de centenas de milhões de dólares — e, em alguns casos raros, US$ 1 bilhão — para executivos e pesquisadores de alto escalão em empresas concorrentes.

    A campanha de recrutamento de Zuckerberg atraiu mais de 20 funcionários da OpenAI, incluindo o co-criador do ChatGPT, Shengjia Zhao. Em agosto, a OpenAI concedeu um bônus único a alguns de seus funcionários de pesquisa e engenharia, com alguns recebendo milhões de dólares, conforme relatado anteriormente pelo The Wall Street Journal.

        Os dados financeiros, compartilhados com investidores durante o verão, mostram que a remuneração baseada em ações da OpenAI deverá aumentar em cerca de US$ 3 bilhões anualmente até 2030.

    A empresa informou recentemente aos funcionários que descontinuará uma política que exigia que os colaboradores trabalhassem na OpenAI por pelo menos seis meses antes de receberem suas ações. Essa mudança pode levar a novos aumentos na remuneração.

    Em média, a remuneração baseada em ações representou cerca de 6% da receita das empresas de tecnologia analisadas pelo Wall Street Journal no ano anterior ao seu IPO, de acordo com os dados da Equilar.

2025 foi um ano complicado


    2025 foi um ano complicado. Os brasileiros foram constantemente surpreendidos por notícias negativas. 


    A "imprevisibilidade" dos acontecimentos afetou todos os segmentos da sociedade, já reticentes com a equivocada política adotada pela elite institucional que ora ocupa o poder, elite esta que não percebe ser impossível promover o desenvolvimento de um País com as crises que estabeleceram durante todo o ano, muitas delas remanescentes dos anos anteriores.


    Entre elas, a avassaladora intromissão do judiciário rompendo a harmonia entre os poderes, rasgando a Constituição do País. O Supremo Tribunal Federal decidiu abandonar suas funções exclusivamente jurisdicionais, para se transformar em protagonista político.


    A sociedade aguarda com apreensão 2026. Os brasileiros são otimistas e acreditam que sairemos desta crise como já saímos de outras. 


    Alguém já disse que o Brasil é como o besouro que, segundo os físicos, não poderia voar, pelo tamanho de suas asas e o peso de seu corpo, mas, como o besouro não entende de física, ele voa. Assim também o Brasil.

31 dezembro 2023

Aquarius/Let the Sunshine In

"Aquarius/Let the Sunshine In" é uma junção de duas canções do musicalHair (1967), compostas por James Rado, Gerome Ragni e Galt MacDermot, e lançada em maio de 1969 como primeiro single de The Age of Aquarius, quarto álbum da banda estadunidense The Fifth Dimension. "Aquarius" foi interpretada pela cantora Ren Woods, no musical Hair, ficando bastante conhecida em todo mundo.


A canção foi composta com base na crença astrológica de que o mundo, ao entrar na Era de Aquarius, iria experimentar uma época de amor, paz, democracia e humanidade, ao contrário da atual Era de Pisces. Presumia-se que esta mudança iria ocorrer no final do século XX, mas a maioria dos astrólogos divergem sobre este assunto.

Nos Estados Unidos, o single ocupou a primeira posição da Billboard Hot 100 por seis semanas e recebeu o disco de platina por mais de 1 milhão de cópias vendidas. Também atingiu o topo da lista de canções de música contemporânea adulta e a sexta posição na lista de singles de artistas negros.

Internacionalmente, o sucesso da canção foi limitado. "Aquarius/Let the Sunshine In" atingiu a primeira posição na parada oficial do Canadá por três semanas, se tornando o primeiro e único número um do Fifth Dimension naquele país. No Reino Unido, atingiu a décima primeira posição na parada oficial, se tornando o primeiro single da banda a entrar na mesma. Na Suíça, atingiu a quarta posição. Na Áustra, a décima primeira, e nos Países Baixos, a décima quarta.

Em 1990 o compositor Hans Zimmer recriou a canção para a sequência de abertura do filme Bird on a Wire. Essa versão foi oito anos mais tarde utilizada como sample para a faixa "Aquarius" do álbum Music Has The Right To Children da dupla escocesa de música eletrônica Boards of Canada.

Em 1994, "Aquarius/Let the Sunshine In" foi incluída na trilha-sonora do premiado filme Forrest Gump.

No ano 1998, o canal peruano América Televisión, pelos 40 anos, foi incluida no 1° episódio do documental aniversário do citado canal: 40 años de la Televisión en Perú (em Espanhol: 40 anos de televisão no Peru).

Em 2005 a canção foi incluída na sequência final do filme The 40-Year-Old Virgin, após a primeira relação sexual do personagem principal.

Em 2007 a Bic utilizou a canção nos comerciais televisivos de um de seus aparelhos de barbear nos EUA. No ano seguinte, o trecho de "Let the Sunshine In" da canção foi utilizado como um dos temas oficiais da campanha presidencial de Barack Obama.


Fonte: Wikipedia

OS 300 DE ESPARTA E OS CORVOS DA REPÚBLICA

Estamos a menos de 24 horas para a virada do ano. Já dura uma semana de noite adentro que se aguarda a chegada do novo ano. Nesse espaço de tempo a busca por - objetos - em seu sentido mais amplo, que se deve ter o cuidado de guardá-los e, claro, de não esquecê-los.

Dentre tais - objetos - estão os artigos que muito significarão para a história a ser contada de nosso País num futuro mais distante pelos historiadores profissionais. Especialmente, quando o assunto a ser pesquisado será o de nossa República durante o ano que ora se encerra. Neste contexto, reproduzo neste Blog o primoroso artigo do Antonio Fernando Pinheiro Pedro, advogado e consultor ambiental, jornalista e editor.

Boa leitura e ...



*  *  *

OS 300 DE ESPARTA E OS CORVOS DA REPÚBLICA

Em nossas Termópilas, a democracia é esmagada pelos corvos, sem que haja um único Leônidas a liderar sua defesa

Por Antonio Fernando Pinheiro Pedro, advogado e consultor ambiental, jornalista e editor.

30/12/2023


O leão nunca ataca o touro se ele tem seu chifre em postura de ataque. Ele ataca quando o touro se põe em fuga. 

Essa lição parece caber integralmente na coreografia das nossas instituições nacionais na presente crise política. 

Em verdade, não se trata das instituições... mas do péssimo material humano que delas se assenhorou.

Vivemos um conflito derivado da notória falta de legitimidade do atual governo. 

O presidente Lula da Silva, um "líder popular", não pode por o nariz na rua sem sofrer alguma ofensa... de populares. Já o seu antecessor - cassado e "caçado" pelo sistema instalado no planalto, é recebido nos braços do povo até na Argentina. Fatores sintomáticos de que algo  de errado, não está certo.

Aliás, tal qual um castelo de cartas, um regime ilegítimo apoiado pela jurisprudência do medo produzida por um tribunal injusto... não vencerá a lei da gravidade e... cedo ou tarde, cairá. 

Os sintomas da ruptura são claros.

Uma sombra cada vez maior se abate sobre o sistema eleitoral "eletrônico" brasileiro - utilizado aqui e no Butão, e já substituído até na Venezuela por um sistema de voto impresso.   Esse incômodo assunto é propositadamente obnubliado por uma imensa polarização no ambiente político e social - a cada dia estimulada pelo governo impopular e seus acólitos nele pendurados.

No mesmo sentido, testemunhamos a tragédia, da desmoralização impressionante, sofrida pelas instituições permanentes da República, e encetada por seus próprios quadros. 

A péssima judicatura em exercício nos tribunais superiores soma sua desfaçatez à de membros do Ministério Público e agentes de segurança ideologicamente orientados. Temerosos da evidente impopularidade e alvos da desconfiança do Povo, tratam de distribuir carteiradas, criminalizar críticas, caçar e cassar mídias discordantes.

O nível de distorção de valores é impressionante. Os corvos instalados na Repúbluca tratam de intimidar cidadãos de bem,  enquanto manipulam o entendimento das normas legais para garantir a impunidade aos notoriamente maus, reprimir dúvidas e questionamentos de jornalistas e cidadãos, esmagar o direito de defesa e inibir manifestações de protesto. O aparato instalado em Brasília, hoje, mimetiza hienas acossadas que reagem em bando, tentando isolar e atacar suas vítimas... 

O avanço da censura e da perseguição política, protagonizado por decisões judiciais atrabiliárias, somado à postura de escárnio adotada pelos novos pançudos no Poder Executivo, destrói o  Estado de Direito sob o cínico pretexto de "salvá-lo".

Vale aqui mencionar o sempre atento General Paulo Chagas, que exerceu crítica às ações literalmente arrogantes do Ministro Alexandre de Morais - aquele que tudo investiga, inquisidor e julgador... 

O General escreveu em seu twitter:

"Convido Alexandre de Moraes a assistir ao filme "300 de Esparta" na cena em que Leônidas, ao final da luta nas Termópilas, em um último gesto, atira sua lança em direção a Xerxes e o fere no rosto lembrando-o de que ele não era imortal.

Os persas venceram a batalha mas não a guerra!"

Porém, em nossas Termópilas, a esmagadora maioria de populares mobilizados é que está sendo sacrificada pelos corvos, sem que haja um único Leônidas a liderá-la.

Os corvos da República, togados, engravatados ou uniformizados como o boneco "Falcon" do "Comandos em Ação", zelosos dos seus privilégios e prerrogativas, "premiados" com gordos salários, têm consciência da podridão que operam. Sabem que a história será com eles implacável.  Temem o desprezo dirigido a eles pelos cidadãos de bem e, talvez por isso, agem desbragadamente, como se não houvesse amanhã.

A covardia institucionalizada se revela na direta proporção da arrogância que a protoditadura instalada em Brasília demonstra, ao beneficiar notórios "vilões" do escândalo da Lava Jato, aprovar privilégios odiosos a seus pares, investigar, processar e condenar cidadãos comuns por condutas "construídas", em sede e foro "de exceção" - aplicando-lhes penas que não teriam coragem de infligir ao chefe de quadrilha do tráfico da esquina da rua onde moram. Reprimem e desencorajam manifestações públicas de protesto às aberrações que produzem contra a República, a Moral Pública, os costumes e a ética. Abusam da caneta, como se a tinta que a abastece uma hora não acabe...

"Lucas 12:24 NVI

Observem os corvos: não semeiam nem colhem, não têm armazéns nem celeiros; contudo, Deus os alimenta. Vocês têm muito mais valor do que as aves!"

Guardo um profundo respeito por toda mobilização popular. Ainda que haja equívocos, a ação voluntária dos seguimentos do povo expressa um traço profundo de humanidade.

As manifestações populares constituem o verdadeiro termômetro da democracia. Talvez por isso, sempre tenha desprezado o transporte de gente paga para "inchar" manifestações, a claque ensaiada e a distribuição do kit "R$50+pão-com-mortadela" - que transforma ato político em show de torcida organizada.

Esta a razão evidente de constatar que a pantomima lulopetista...  nunca foi mobilização popular, embora contemple o que há de mais miserável na natureza humana.

Porém, há algo mais trágico que isso: o sacrifício contido numa mobilização perdida pela covardia atribuída à liderança. E é o que parece ter ocorrido no Brasil, frustrado pelo bolsonarismo e retomado pelo lulopetismo. 

O Brasil foi palco das maiores manifestações pacíficas de massa ocorridas na história da humanidade, desde a libertação da Índia sob a liderança de Gandhi. Essas manifestações, iniciadas em junho de 2013, num primeiro momento apontaram para a perspectiva de reformas profundas no carcomido Estado Brasileiro, na década passada.

No entanto, a covardia, a pusilanimidade, a corrupção e o despreparo de quem deveria assumir uma liderança, ou foi pelo povo incumbido disso, permitiu a recomposição do carcomido establishment - no pior formato imaginado.

Milhões de pessoas se mobilizaram, antes e depois das eleições de 2022. Acusadas de "antidemocráticas", mantiveram-se corajosas. Fizeram uso pacífico do sagrado direito de livremente se manifestarem.  Centenas de milhares se sacrificaram nas ruas, pacificamente, sem qualquer perspectiva de resposta das instituições permanentes da República - acomodadas, cooptadas e acovardadas. 

Certos ou equivocados - pouco importa num regime plural, cidadãos conservadores, cristãos e democratas, viram nossas forças armadas se reduzirem o um conjunto de "soldadinhos toddy". Testemunharam a Policia transfigurar-se na "Gestapo" tupiniquim e, para completar a tragicomédia nacional foram enredadas na farsa de 8 de janeiro - o único caso em todo mundo de "tentativa de supressão violenta do Estado de Direito" em que não se produziu um único tiro, não se fez um único morto, não se reteve, encarcerou, agrediu ou perseguiu uma única autoridade representante dos poderes  em causa ou mesmo se tratou de ocupar, com intuito funcional, algum quartel ou mesmo os predios vandalizados na confusão.

Num país que já assistiu tomadas de forte, quarteladas e revoluções, com governantes de estatura capazes de pacificar e superar os conflitos fazendo uso de instrumentos como a anistia, redução de pena ou indulto - o que temos hoje é o desprezível espetáculo de pigmeus morais, pulgas saltitantes, "descendo a pua" em aposentados, donas de casa e pais de família - exemplados por um quebra-quebra na praça dos três poderes, sem que sequer a conduta dos mesmos seja esclarecida de fato.

Assim,  centenas de pessoas permanecem encarceradas à revelia da lei - com base na pantomima "golpista", forjada pelo imbróglio mal explicado de 8 de janeiro.

A desmoralizada mídia convencional - formada por micos amestrados que dançam conforme a música tocada pelo realejo do Planalto, distorce o fenômeno, aplaudindo a repressão e estigmatizando de forma leviana os atos de protesto - propositadamente confundindo-os com o "golpismo" - de fato efetivado no "contragolpe" de 8 de janeiro. Com isso,  contribuiu para destruir a liberdade de imprensa  e a dignidade do jornalismo brasileiro.

Se a mobilização em frente aos quartéis parece ter servido de "lastro", de  "salvo conduto" de lideranças em fuga;  a pantomima de 8 de janeiro claramente autorizou a somatória de escárnios e violações a garantias constitucionais, caras à democracia, que incrementam hoje o processo de venezuelização, de desmoralização institucional e da censura ao livre pensar no Brasil.

O espetáculo que assistimos nesse período foi e é dantesco.  Impondo "pós-verdades", ditadas como  "novilíngua" do drama de George Orwell,  os corvos  da República mergulharam os brasileiros numa espécie de "venezuelização" da política nacional. Após um processo de abdução jurisprudencial, o quadro judiciário se assenhorou do sistema partidário. Manteve e mantém, na coleira, organizações políticas organizadas de forma provisória, reféns da chave do cofre do fundo partidário. 

Esse aprisionamento destruiu a harmonia entre os poderes. Deixou o eleitor à margem da estrutura daquilo que deveria representar sua soberania. Sem soberania popular, permanece no ar a ameaça de represália a quem manifesta apoio à maior lisura e transparência no pleito eleitoral. Não havendo mais garantia a direitos básicos da cidadania, restou a censura, a perseguição e o acobertamento sistemático ao mal feito.

O silêncio omisso e a falta de liderança do parlamento nacional revela a hegemonia dos covardes na política atual. O fenômeno da covardia aumenta a sensação de desperdício  do esforço popular e estimula a sensação geral de desalento. Aliás, a sensação de "tudo pode - nada pode", emanada da "destruição criativa" protagonizada pelos corvos da República, desmobiliza a camada produtiva da população e amplia a deseconomia.  

Sofremos hoje uma reação coletiva, histórica, de profunda frustração, um corrosivo desprezo por todas as instituições que se alimentam do que ainda resta de nosso tecido social. Um retrocesso cívico-cultural aos tempos de colônia.

Presenciamos cidadãos serem inutilizados e destruídos por uma repressão cega, protagonizada por gente que fez da justiça pretexto para exercer tiranias. Famílias cindidas, hoje permanecem ao desabrigo de um pronunciamento oficial  decente - e ainda são achincalhadas com um "perdeu mané, não amola".

A esbórnia retornou em peso, com ares de revide.

Se o pior já ocorre, hoje, com as instituições permanentes, civis, da República, as FFAA seguem solertes para o poço do opróbrio, pela omissão de seus comandantes. Estes, ainda que aquinhoados com benesses salariais, sabem do evidente desmonte que sofrerão sob o tacão dos populistas,  que não hesitarão em subjugá-los.

Como lecionava Aristóteles, "são as escolhas efetivas entre o bem e o mal que definem o caráter, nunca o que  se pensa sobre um ou outro".

Não bastará, portanto, "arremessar a lança contra Xerxes". 

O desprezo surdo, visto no 7 de setembro de 2023... deverá se repetir nos eventos próximos, incluso a pantomima de 8 de janeiro.

Como vaticinou Churchill, pode-se enganar alguns por algum tempo... mas não se enganará a todos, todo o tempo. A verdade surgirá e a história será implacável.

Talvez, seja o caso de ler e cantar os Salmos.

*  *  *



31 dezembro 2022

#FORALULA

Neste domingo, primeiro dia do ano 2023, aqui em Brasília, e no restante do País também, não teremos um clima de ano novo, de paz de união, de otimismo e de esperanças no ano que se inicia. O País está dividido.

Isso se deve ao desfecho de uma caminhada - que já dura cerca de 4 anos - por um Brasil no qual seus cidadãos passaram a viver, passo a passo, sob uma ditadura judicial que rasgou a Constituição Federal para conduzir um condenado em três instâncias, por 9 juízes, a mais de 20 anos de prisão, à chefia do poder executivo da Nação, incluindo suspeitas no processo eleitoral, comentado até no exterior, como nos mostram os dois artigos: artigo1  e  artigo2.

Em português, Ana Paulo Henkel nos resume o que foi o Brasil de 2022.

"Não foi apenas todo o ano de 2022 do brasileiro que foi conturbado, o final do ano foi um caos. Eleições nada transparentes, sistema eleitoral comprometido com juízes ativistas que, claramente, favoreceram um candidato corrupto, inconstitucionalidades sendo chanceladas por ministros com o “novo normal jurídico”… A lista de absurdos no Xandaquistão aumenta em uma velocidade alarmante. Sem contar as semanas de “Sobe a rampa. Não sobe a rampa”."

Mas e aí? Como entraremos em 2023?, pergunta Ana Paula. Ela mesmo responde:

"Ninguém sabe. Ok, mas então o que podemos levar para o ano que está para nascer já com medo de nascer velho, se não sabemos o que esperar desse parto? Creio que entraremos em rota de inúmeros medos e também certezas que são de arrepiar. Aquelas que, se concretizadas, trarão o período mais nefasto da nossa história. A pior gangue política que o Brasil, quiçá o mundo, já viu e agora de volta à cena do crime com requintes de crueldade e vingança."

Dessa forma, nesse  clima, o dia da posse do ex-presidiário, ao invés de ser um tempo de celebração, está sendo um momento de angústia, derivado de ações dele próprio, de seus amigos e dos amigos dos amigos dele.

Ao longo de sua história, nunca houve no Brasil um presidente que assumisse o cargo com o país tão dividido como está agora. Dando seguimento aos seus discursos de campanha, Lula e sua equipe é um puro “nós” contra “eles”. Quem não votou em Lula não é um adversário – é inimigo, e tem de ser destruído.

Trata-se, portanto, de destruir o Brasil que vem existindo até agora - e colocar em seu lugar a partir do dia 1º. de janeiro de 2023, de preferência para sempre, um regime no qual só existe lugar para quem serve Lula e se serve dele.



31 dezembro 2021

ESTAMOS EM GUERRA E NÃO SABEMOS

    Em 1999 foi publicado o livro ¨Guerra Irrestrita¨ (Unrestricted Warfare), escrito por dois coronéis chineses Qiao Liang e Wang Xiangsul, no qual coloca a China em posição de vantagem sobre outras nações.

    O país abdica das investidas estritamente militares para minar a resistência de seus oponentes adotando táticas distintas, como o desmonte da cultura, o enfraquecimento das religiões, o controle da mídia, a implosão do sistema financeiro e a proliferação do trafico de drogas, entre outras estratégias fundamentais para se infiltrar em nações estrangeiras, posteriormente oferecendo soluções, produtos e serviços em que lucrarão alto e poderão controlar setores vitais de um país, como o de saúde, energético e telecomunicações.

    Em um de seus trechos, lê-se ¨[...] enquanto presenciamos uma relativa redução na violência militar, estamos evidenciando, definitivamente, um aumento na violência politica, econômica e tecnológica¨. Em outro trecho "Até mesmo o ultimo refugio da raça humana - o mundo interior do ser humano - não esta livre da guerra psicológica".

    Eis algumas “profecias” da “Guerra irrestrita”:

“(…) a guerra renascerá sob outro formato (…) tornando-se um instrumento de enorme poder nas mãos dos que nutrem a intenção de controlar outros países e regiões.”

“(…) enquanto presenciamos uma relativa redução na violência militar, estamos evidenciando, definitivamente, um aumento na violência política, econômica e tecnológica.”

“(…) tem havido o desenvolvimento de meios para atacar direta e especificamente um centro nervoso de um inimigo, sem danificar as áreas circundantes. Desta forma têm-se novas opções para obtenção da vitória, gerando a crença de que a melhor forma de se obter a vitória é através de um maior exercício de controle e não através da imposição da morte.”

    É fato que o livro foi escrito antes do atentado terrorista às torres gêmeas em 2001. No entanto, os autores comentaram os atentados de Bin Laden às embaixadas americanas em Nairobi e Dar es Sallam e, ainda, que qualquer coisa nesse mundo poderia ser transformada em um arma -  um avião, por exemplo. E, assinalaram: "o advento do terrorismo 'estilo Bin laden' aprofundou a impressão de que uma força nacional, não importa quão poderosa ela é, irá encontrar dificuldades para levar a melhor em um jogo que não tem regras".

    Um único ataque hacker pode ser considerado como um ato hostil ou não? O uso de instrumentos financeiros para devastar a economia de um país pode ser visto como uma batalha?  Para os autores, "este tipo de guerra significa que todos os meios estarão de prontidão, que a informação será onipresente e que o campo de batalha será em qualquer lugar". Portanto, podemos estar em guerra sem sabermos.

    Mas onde se encaixa o Brasil nesse contexto? Não há dúvida de que o Brasil está inserido nesse cenário. Por exemplo, o País é um grande detentor de recursos naturais como a floresta amazônica, minérios, petróleo, água entre outros. E já se esboça uma disputa por esses recursos estratégicos. Poderão ser intensificadas disputas por áreas marítimas, pelo domínio aeroespacial e por fontes de água doce e de energia, cada vez mais escassas.

    Portanto, está clara a necessidade de se considerar a perspectivas de atores que se movem com interesses distintos, como organizações não governamentais, hackers, entre outros, que não respeitam fronteiras e nem regras. Esses guerreiros não-militares são capazes de causar danos tão grandes quanto uma guerra convencional, como disseram os autores do livro.

    E os chineses já estão aqui em vários segmentos. Por exemplo,  atuando para transformar os jornais e as cadeias de televisão como instrumentos de guerra.

    O PCCh está deixando o mundo de joelhos. A área da saúde é o seu mais recente campo de atuação. E há as mídias literalmente compradas pelo Partido que se recusam a noticiar isso. Mascaradas e papagaiando estatísticas suspeitas, aterrorizam-nos diuturnamente com a “guerra contra o vírus”. 

Enfim, o livro é um áugure moderno do que ocorre hoje, diante dos nossos olhos. E o que um dos autores disse há pouco tempo? Veja no artigo de Pepe Escobar, publicado em 2020, ainda, portanto, durante o governo D. Trump.

A China atualiza sua ‘Arte da Guerra (Híbrida)’ 



por Pepe EscobarPublicado 21/05/2020 12:41


O Guerra Irrestrita  era, essencialmente, o manual do Exército de Libertação Popular para a guerra assimétrica, uma atualização do A Arte da Guerra, de Sun Tzu. Na época da publicação original de Guerra Irrestrita, 1999, a China estava longe de alcançar o poder geopolítico e geoeconômico que tem hoje, e o livro foi concebido como a formulação de uma abordagem defensiva, totalmente diferente do sensacionalista “destruir a América” acrescentado ao título quando o livro foi publicado nos Estados Unidos, em 2004.


Recentemente, o livro foi reeditado, e Qiao Liang, hoje general aposentado e diretor do Conselho de Pesquisas sobre Segurança Nacional, voltou à cena em uma entrevista bastante reveladora, originalmente publicada na edição atual da revista Zijing (Bauhinia), de Hong Kong.

 

O General Qiao não é membro do Politburo e não está em posição de ditar políticas oficiais. Mas alguns analistas com quem conversei concordam que os pontos principais que ele coloca como opinião pessoal revelam muito sobre o pensamento do Exército de Libertação Popular. Examinemos alguns deles.

 

Boa parte de sua argumentação centra-se nas fragilidades da indústria norte-americana: “Como os Estados Unidos de hoje podem querer entrar em guerra com a maior potência manufatureira do mundo, agora que suas indústrias estão esvaziadas?” 


Um exemplo relativo ao Covid-19 é a capacidade de produzir ventiladores: “Das mais de 1.400 peças necessárias para fabricar um ventilador, mais de 1.100 têm que ser produzidas na China, incluindo a montagem final. Esse é o problema dos Estados Unidos de hoje. Eles têm tecnologia estado da arte, mas não os métodos e a capacidade de produção. Eles, portanto, são dependentes da produção chinesa”.


O General Qiao descarta a possibilidade de o Vietnã, as Filipinas, Bangladesh, Índia e outros países asiáticos virem a substituir a mão de obra barata chinesa: “Quais desses países têm mais trabalhadores especializados que a China? Qual a quantidade de recursos humanos de nível médio e alto criada na China nos últimos trinta anos? Qual outro país vem educando mais de 100 milhões de estudantes de nível médio e universitário? A energia de todas essas pessoas ainda está longe de ser liberada a serviço do desenvolvimento econômico da China”.

    

Ele reconhece que o poderio militar dos Estados Unidos, mesmo em tempos de epidemia e de dificuldades econômicas, “é capaz de interferir direta ou indiretamente na questão do estreito de Taiwan”,  e de encontrar desculpas para “impor bloqueios e sanções à China e excluí-la do Ocidente”. Ele acrescenta que “como país produtor, ainda não somos capazes de prover nossa indústria manufatureira com nossos próprios recursos nem de contar apenas com nossos próprios mercados para o consumo de nossos produtos”.


Consequentemente, afirma ele, é uma “boa coisa” que a China se engaje na causa da reunificação, “mas é sempre uma coisa má se isso for feito na hora errada. Só conseguimos agir na hora certa. Não podemos permitir que nossa geração cometa o pecado de interromper o processo da renascença chinesa”. 


O General Qiao aconselha, “Não pensem que apenas a soberania territorial esteja ligada aos interesses fundamentais de uma nação. Outros tipos de soberania – econômica, financeira, de defesa, alimentar, de recursos, biológica e cultural – estão vinculados aos interesses e à sobrevivência das nações, sendo componentes da soberania nacional”.


Para estancar o movimento em prol da independência de Taiwan, “além da guerra, outras opções têm que ser levadas em conta. Podemos pensar em meios de agir na imensa zona cinzenta entre a guerra e a paz, e podemos até mesmo pensar em meios mais específicos, como desencadear operações militares que não levem à guerra, mas que talvez envolvam um uso moderado da força”. 


Em uma formulação gráfica, o General Qiao pensa que, “se tivermos que dançar com lobos, não será  no ritmo dos Estados Unidos. Temos que ter nosso próprio ritmo, e até mesmo tentar quebrar o ritmo deles, minimizar sua influência. Se o poderio americano está brandindo sua vara, é porque ele caiu em uma armadilha”.

 

Em poucas palavras, para o General Qiao, “a China, antes de mais nada, tem que dar provas de estar determinada a solucionar a questão de Taiwan e, em seguida, ter paciência estratégica. É claro que a premissa é que devemos desenvolver e manter nossa força estratégica para, a qualquer momento, solucionar a questão de Taiwan por meio da força “.


Sem luvas de pelica


Compare-se então a análise do General Qiao com o agora óbvio fato geopolítico de que Pequim irá responder olho por olho a qualquer tática de guerra híbrida empregada pelo governo dos Estados Unidos. Desta vez decididamente sem luvas de pelica.


A melhor demonstração dessa atitude veio em um editorial do tipo vale tudo publicado no Global Times: “Temos  que ter clareza de que o enfrentamento da postura supressiva dos Estados Unidos será o principal foco da estratégia nacional da China. Temos que aumentar a cooperação com a maioria dos países. Espera-se que os Estados Unidos tentem conter as linhas de frente internacionais da China, e nós temos que demolir esse complô norte-americano e transformar a rivalidade China-Estados Unidos em um processo de auto-isolamento dos Estados Unidos.”


Um corolário inevitável é que a ofensiva escancarada de incapacitar a Huawei será revidada na mesma moeda, e dirigida contra a Apple, Qualcom, Cisco e Boeing, incluindo até mesmo “investigações ou suspensões de seu direito de atuar na China”. 


Então, para todos os fins práticos, Pequim revelou agora sua estratégia para se contrapor às declarações do tipo “Podemos vir a cortar totalmente as relações” feitas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 


Uma matriz racismo tóxico-anticomunismo é responsável pelo sentimento antichinês que predomina em todos os Estados Unidos, atingindo pelo menos 66% da população. Trump, instintivamente, se apossou desse sentimento e o reembalou como seu tema de campanha de reeleição, com a plena aprovação de Steve Bannon. 


O objetivo estratégico é atacar a China em todas as frentes do espectro. O objetivo tático é forjar uma frente anti-China em todo o Ocidente: uma outra instância de cerco ao estilo guerra híbrida focado na guerra econômica. 


Isso implicaria uma ofensiva conjunta para tentar enforçar embargos e bloquear o acesso das empresas chinesas aos mercados regionais. O lawfare será a norma. Até mesmo o congelamento dos ativos chineses nos Estados Unidos deixou de ser uma proposta improvável.


Todas as ramificações possíveis das Rotas da Seda – na frente energética, portuária, da Rota da Seda da Saúde, das interconexões digitais – serão estrategicamente atacadas. Aqueles que acalentavam o sonho de  que o Covid-19 seria o pretexto ideal para uma nova Yalta, unindo Trump, Xi e Putin – podem descansar em paz.

       

A “contenção” funcionará em intensidade máxima. Um exemplo claro é o fato de o Almirante Philip Davidson – dirigente do Comando Indo-Pacífico –  ter pedido uma verba de 20 bilhões para a construção de “um cordão militar robusto“, indo da Califórnia ao Japão e descendo ao longo da Orla do Pacífico, equipado com “redes de ataque preciso de alta capacidade de sobrevivência” em  toda a orla, bem como “forças conjuntas rotativas e bases avançadas” com o objetivo de se contrapor à “nova ameaça que enfrentamos, representada pela concorrência de uma grande potência”.


Davidson afirma que “sem uma contenção convencional válida e convincente, a China e a Rússia ganharão coragem para atuar na região com o objetivo de suplantar os interesses norte-americanos”. 


Prestem atenção ao Congresso do Povo


Do ponto de vista de largas faixas do Sul Global, a atual e extremamente perigosa incandescência, ou Nova Guerra Fria, tende a ser interpretada como com o fim paulatino da hegemonia da coalizão ocidental sobre a totalidade do planeta. 


Ainda assim, muitos países vem sendo asperamente instados pelo hegêmona a, mais uma vez, se reposicionarem frente a um imperativo de  guerra global ao terror do tipo “ou você está conosco ou você está contra nós”.  


Na sessão anual do Congresso Nacional do Povo, a se realizar na próxima sexta-feira, veremos como a China irá tratar de sua prioridade máxima: reorganizar-se internamente após a pandemia. 


Pela primeira vez em 35 anos, Pequim será forçada a abrir mão de suas metas de crescimento econômico. Isso significa também que o objetivo de dobrar o PIB e a renda per capita em 2020 em comparação a 2010 terá também que ser postergado. 


O que devemos esperar é uma ênfase absoluta nos gastos internos – e na estabilidade social – em detrimento da luta pela liderança global, embora esse último objetivo não vá ser totalmente posto de lado.


Afinal, o Presidente Xi Jinping deixou claro, no início desta semana, que “o desenvolvimento e o emprego de uma vacina para a Covid-19 ns China, assim que ela estiver disponível”,  não estarão sujeitos à lógica da Big Pharma, e que a vacina “será vista como um bem público mundial”. Essa medida será a contribuição da China para assegurar que os países em desenvolvimento tenham acesso à vacina a preços praticáveis. O Sul Global está prestando atenção. 


Internamente, Pequim irá reforçar o apoio às empresas estatais com condições de inovar e correr riscos.  A China sempre frustra as previsões dos “especialistas” ocidentais. Por exemplo, as exportações cresceram 3,5% em abril, quando esses especialistas previam uma queda de 15,7%. O superávit comercial foi de 45,3 bilhões de dólares, quando esses especialistas previam apenas 6,3 bilhões. 


Pequim parece perceber claramente o abismo cada vez maior que separa um Ocidente – os Estados Unidos em especial – cada vez mais atolado em uma real Grande Depressão, de uma China prestes a retomar seu crescimento econômico. O centro de gravidade do poder econômico global está se deslocando inexoravelmente em direção à Ásia.


Guerra híbrida? Manda ver.


Fonte: Dossier Sul – Publicado originalmente em Asia Times