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13 setembro 2025

O assassinato de Charlie Kirk escancarou a realidade da esquerda

    O "day after" do assassinato do jovem líder americano Charlie Kirk expôs o que está acontecendo em nossa sociedade. O episódio escancarou a realidade: a esquerda chegou ao auge da sua radicalização. Como disse Dilma Rousseeff "a esquerda faz o diabo pelo poder".

    Em entrevista, o governador de Utah, Spencer Cox, estado em que aconteceu o atentado fatal contra Charlie Kirk, disse:

“Está muito claro para nós e para os investigadores que se tratava de uma pessoa profundamente doutrinada pela ideologia de esquerda.”

    O que testemunhamos hoje é o resultado de décadas de doutrinação e lavagem cerebral em escolas, universidades, meios de comunicação e na indústria cultural. O efeito é devastador: uma massa de pessoas programada para aceitar, justificar e até aplaudir censura, prisões arbitrárias e, agora, assassinatos políticos contra quem ousa se opor ao projeto socialista.

    Em diversas partes do planeta, o comportamento de uma parte da sociedade retornou ao início do século XX encontrado nos registros históricos do fascismo, do comunismo e do nazismo. Os dois primeiros regimes ainda hoje se encontram implantados em diversos países e, infelizmente, o atual governo brasileiro estreitou suas relações com essas nações. É o que se constata em diversos pronunciamentos de Lula e respectivas imagens. Posição esta que também adentrou ao STF após a contínua nomeação de ministros que rezam por essa cartilha, culminado com a nomeação para o seu quadro de um declarado comunista.

    Mas como já foi escrito em um comentário de um post anterior ...

"Isso pode mudar. Já aconteceu no mundo e o povo mudou. O caso mais exemplar foi o da França, o período de terror 1793-1794. Maximilien Robespierre foi uma figura central da Revolução Francesa, líder dos Jacobinos e proeminente defensor da democracia, do sufrágio universal e do fim da escravatura. Contudo, tornou-se também o arquiteto do «Período do Terror» (1793-1794), uma ditadura de salvação pública que perseguiu e executou milhares de oponentes da Revolução, antes de ser ele próprio guilhotinado em julho de 1794, marcando o fim do regime."

25 maio 2025

O que aconteceu na noite de quarta-feira em Washington é mais um terrível aviso

    O que aconteceu na noite de quarta-feira em Washington é um terrível aviso. Não só para os americanos. Como divulgado em todo o mundo, por volta das 21h, um atirador abriu fogo do lado de fora do Museu Judaico da Capital enquanto as pessoas saíam de um evento para jovens judeus que trabalham em política externa. Ele assassinou dois funcionários da embaixada israelense.

“Palestina Livre. Eu fiz isso por Gaza”, disse o suspeito, Elias Rodriguez, que sacou um kaffiyeh (lenço) vermelho, segundo uma testemunha.

    Desde o massacre de 7 de outubro no sul de Israel, no qual foram assassinadas 1195 pessoas, o grito de guerra tem ecoado nos campi universitários e em protestos várias partes do mundo: “Globalizem a Intifada”. O que aconteceu na noite de quarta-feira em Washington é mais um terrível aviso.

    O jornal do Partido para o Socialismo e a Libertação (PSL), nos EUA, identificou o suposto atirador como seu membro em 2017, embora agora o negue e diga que ele está fora de contato desde então. O PSL, um grupo comunista com ligações à China, tem sido um dos principais organizadores de manifestações anti-Israel, incluindo uma na Times Square em 8 de outubro de 2023, em solidariedade aos esquadrões da morte do Hamas. seguido pela organização estudantil Estudantes pela Justiça na Palestina (SJP) que na ocasião assim se expressou: "Hoje, testemunhamos uma vitória histórica para a resistência palestina", após ter fornecido material para um "Dia da Resistência" nas faculdades.

    A ascensão de grupos de banimento que atuam sob o modelo dos conhecidos regimes soviético, fascista, nazista e chinês, incluindo o entusiasmo pela eliminação total de seus opositores está reacendendo antigos perigos em todo o mundo e o Brasil não estará imune, após a consolidação definitiva do Regime PT-STF, uma ditadura pseudodemocrática de molde socialista e inspiração russo-chinesa com que a esquerda pretende continuar comandando — e saqueando — o Brasil nas próximas décadas.

05 janeiro 2025

A cegueira do Estado em relação ao crime organizado

        Segundo Aristóteles, a finalidade do Estado é a mais elevada que se possa conceber, uma vez que o Estado é a mais perfeita expressão da tendência social. Essa finalidade não pode ser a simples satisfação de necessidades físicas, nem a aquisição de riqueza, nem o comércio, nem mesmo a proteção dos cidadãos pelas leis. Essa finalidade deve ser a felicidade dos cidadãos.

        Contudo, um Estado começa a ser insignificante quando não assume os problemas subjacentes que afligem a sociedade, os seus cidadãos. Muitas vezes isto ocorre ao se desviar a atenção para questões menos importantes, mas que despertam o interesse público. A frivolidade consiste, expressamente, em não querer ver as coisas como são, mas dar a impressão de que são.

        Por exemplo, juntamente com as celebrações do Ano Novo e tudo o que isso significa, uma questão que se torna especialmente relevante é quantos fins de semana prolongados haverá este ano. Esta banalidade ocorre no meio de centenas de pessoas mortas a tiros nas ruas, milhares de pessoas atoladas na pobreza e num sentimento geral de desamparo que deixa toda a sociedade em estado de alerta.

        Uma das grandes questões no Brasil é o crime organizado que atinge vastos setores da população na forma de extorsão, usura, tráfico de drogas e de pessoas e tantos males que prejudicam muitas pessoas inocentes e o tecido social. Uma outra questão é que o Estado, com raras exceções, o Rio não é uma delas, não tem conseguido ver com clareza esta situação que, segundo os dados disponíveis, vai de mal a pior. E parece que só se contentam com uma ou outra conquista policial que costuma aparecer com grandes manchetes nos noticiários. A questão subjacente é que enfrentamos uma emergência nacional que requer outros métodos para a resolver. Face à realidade que nos aflige, as atuais políticas públicas de enfrentamento ao crime organizado, e tudo o que isso implica, são insuficientes.

        Isso gera na população um sentimento de desamparo que paralisa a vida dos brasileiros e de centenas de milhares de trabalhadores. Esta situação requer métodos de diagnóstico e métodos de ação  mais eficazes ao nível do inimigo que está a ser enfrentado em todo o Brasil. E isto deve ser agora porque esta é uma batalha que o País está a perder. Na verdade, os crimes traiçoeiros que vemos todos os dias, neste momento, parecem ser apenas mais uma notícia. Esse fato, além de causar mortes, dor e sofrimento, traz consigo diversos problemas. A primeira é que a população começa a sentir um sentimento de orfandade muito grande, dado que quem tem o dever de cuidar deles não o faz. Aqueles que têm recursos econômicos procurarão meios para se protegerem e/ou deixarem o País, mas os mais pobres serão os mais prejudicados porque não têm esses recursos. O que é pior, as pessoas e as comunidades começarão a defender-se e a fazer justiça para si: já estamos a assistir à autoproteção e as consequências serão desastrosas.

        Além disso, a democracia começou a enfraquecer porque, como já se viu a corrupção já penetrou na sociedade e corroendo todas as entidades encarregadas de atacá-la. Um futuro pra lá de sombrio. Desconfiar das instituições que têm o mandato constitucional de nos defender seria um grande enfraquecimento do Estado de Direito que nos rege e que nos permite cumprir os nossos deveres, mas também faz valer os nossos direitos.

        Seria desejável, se não imperativo, que todas as forças do País se unissem de forma clara e inequívoca para pôr fim ao crime organizado. É um dever moral porque o que está em jogo é o futuro da Nação. Isto envolve muita coragem e decisões complexas, mas que devem ser executadas. É hora de colocar na agenda de todos, sem exceção, devolver a tranquilidade à população. Não será possível que nas próximas eleições o comando seja entregue a alguém que viola sistematicamente a felicidade e direitos dos cidadãos brasileiros.

29 dezembro 2024

Rupturas profundas e generalizadas na sociedade

2024 está se encerrando como um dos anos de maior ruptura generalizada na sociedade. Ela se fez presente em praticamente todos os continentes, com predominância nos regimes ditatoriais ou "democráticos" de esquerda e/ou que adotam a pauta wokevista como uma ameaça aos valores tradicionais, e associada à censura e ao controle social. Mesmo em países com controle severo dos meios de comunicação, muitos desses fatos foram revelados.



Dentre as reportagens divulgadas em 2024, destacam-se aquelas que explicitaram ataques violentos na China nos últimos meses perfurando o verniz de estabilidade de uma sociedade rigidamente controlada. Vejamos alguns desses casos. 

  • No final de setembro, um homem de 37 anos matou três pessoas e feriu outras 15 em uma onda de esfaqueamentos em um supermercado de Xangai. 
  • Em outubro, um homem de 50 anos feriu cinco pessoas em um ataque com faca em Pequim. Em 11 de novembro, um homem de 62 anos dirigiu em direção a uma multidão na cidade de Zhuhai, no sul, e matou 35 pessoas e feriu outras 43 no que é considerado um dos atos de violência criminosa mais mortais da China em décadas. 
  • Nos dias que se seguiram, um esfaqueamento em massa por um estudante de 21 anos matou oito e feriu 17 em uma escola profissional em Wuxi, perto de Xangai, e 
  • um ataque de carro que deixou várias crianças em idade escolar e pais feridos do lado de fora de uma escola primária na província de Hunan. 
  • Houve pelo menos 20 ataques desse tipo na China este ano, com um número de mortos de mais de 90 pessoas. 

Autoridades do governo chamaram esses incidentes de "isolados" e ofereceram explicações enfatizando motivações individuais: o motorista do ataque de carro em Zhuhai estava insatisfeito com seu acordo de divórcio, por exemplo; o agressor de Wuxi foi reprovado nos exames. 

Porém, em conjunto, os ataques revelam rupturas profundas e generalizadas na sociedade chinesa alimentadas pela estagnação econômica, desigualdade sistêmica e imobilidade e exclusão social. Como resultado, esses incidentes passaram a ser conhecidos como "ataques de vingança contra a sociedade".

Um estudo comparativo publicado no Journal of Threat Assessment and Management, em 2022, revelou que a China foi responsável por 45% dos esfaqueamentos em massa relatados em todo o mundo entre 2004 e 2017. Sua participação pode ser atribuída não apenas à ampla disponibilidade de facas e controle rigoroso de armas, mas também a tensões sociopolíticas, incluindo estresse financeiro severo. 

Atos violentos na China geralmente têm como alvo vítimas aleatórias em espaços públicos e às vezes são performáticos; em outras palavras, o ponto não é atingir um objetivo específico, mas sim chamar a atenção da sociedade. Embora o extenso aparato de censura do Estado efetivamente sufoque o discurso público estendido sobre ataques em massa, a organização sem fins lucrativos China Digital Times, sediada na Califórnia, documentou surtos de atividades online após tais incidentes — indicando intenso interesse público — antes que as postagens fossem apagadas pelos censores.

Os controles rígidos do Partido Comunista Chinês - PCCh apenas agravaram o problema. A violência sustenta a ordem social da China, e a vingança contra os ataques à sociedade deve ser entendida em parte como uma resposta à violência estrutural perpetrada pelo próprio Estado, incluindo o silenciamento da dissidência e outras estratégias de controle, como a política do filho único

Os ataques públicos são frequentemente reações à repressão. A ironia é que o governo geralmente responde a eles com ainda mais repressão. Após o ataque em Zhuhai, por exemplo, as autoridades locais rapidamente impuseram uma proibição de denúncias, proibiram o luto em público e "higienizaram" o site. E o Estado mobilizou suas capacidades legais e de vigilância em uma aplicação de cima para baixo da estabilidade de curto prazo, uma marca registrada da gestão de crise do PCCh.

Tais respostas vêm às custas de medidas que abordariam os problemas subjacentes que incitam a vingança contra os ataques da sociedade. Se o PCCh se apegar a um estilo de governança centralizado e autoritário, as fraturas sociais estão fadadas a se intensificar. "Sem reformas sistêmicas para lidar com essas questões, a China corre o risco de fomentar um ciclo de frustração e inquietação que pode cada vez mais explodir em violência e até mesmo ameaçar a estabilidade de longo prazo do país", afirma a reportagem do jornal citado anteriormente.

Respondendo a ataques violentos ou expressões em massa de descontentamento, o Partido, em uma sede de controle, historicamente confiou em algumas estratégias principais que provavelmente só se intensificarão. Entre as mais centrais estão a vigilância, o policiamento aprimorados, e a cultura do cancelamento, que se propagam pelo mundo inclusive aqui no Brasil.

A já extensa infraestrutura de vigilância da China — reconhecimento facial avançado, pontuação de crédito social, monitoramento orientado por IA — está se expandindo ainda mais. Novas tecnologias, como o sistema Crowd Emotion Detection and Early Warning Device, que as autoridades afirmam poder analisar o comportamento e as emoções de grandes grupos de pessoas, podem ser usado para ajudar a detectar distúrbios, destacando os esforços do Estado não apenas para responder aos ataques, mas para evitá-los completamente. 

Medidas adicionais, como maior presença policial perto de escolas e em espaços públicos e monitoramento intensificado durante períodos politicamente sensíveis, evocam os modelos de segurança em regiões como Xinjiang, onde o governo chinês reprime sistematicamente os uigures e outras minorias muçulmanas há anos no que se tornou um estado policial provincial de fato.

Como o sociólogo Xueguang Zhou observou, a abordagem do PCCh não depende apenas da mobilização, mas também da propaganda, que se encaixa na censura do partido e na gestão narrativa. A rápida exclusão de comentários críticos nas mídias sociais e a supressão do discurso público garantem que os ataques em massa sejam enquadrados como incidentes isolados, em vez de sintomas de falhas sistêmicas mais profundas. 

Ao controlar a narrativa, o PCCh busca evitar a indignação pública e incidentes de imitação, mantendo sua imagem de autoridade. Mas essas medidas pesadas, por sua vez, perpetuam sentimentos de alienação e agitação entre o povo chinês, aumentando o risco de mais ataques.

Wu Si, o ex-editor-chefe do periódico de história Yanhuang Chunqiu, disse que "regras ocultas" governam a sociedade chinesa — sistemas informais que "não são éticos nem inteiramente legais", mas sustentam a estrutura social. 

Mas a frequência crescente de vingança contra ataques à sociedade sugere que a indiferença do Partido a certos direitos e sua repressão à dissidência podem estar tendo um efeito não intencional: o aumento da violência que pode parecer apolítica à primeira vista, mas constitui uma rejeição desesperada do status quo político. E se o Partido não conseguir expandir as oportunidades econômicas e reduzir as desigualdades e injustiças estruturais, ele pode acabar se deparando com desafios maiores do que a vingança contra ataques à sociedade.

Da mesma forma, tais desigualdades estruturais têm alimentado uma variedade de manifestações nos últimos anos. Esses protestos destacam o crescente descontentamento entre diversos grupos e, para muitos, representam um protesto contra décadas de repressão.

28 dezembro 2024

One Child Nation - o legado da violência estatal

A política do filho único da China, aplicada de 1978 a 2015, interrompeu a dinâmica familiar e se baseou em métodos coercitivos e intrusivos, incluindo esterilizações e abortos forçados.

Esse é mais um tema que está relacionado, sendo discutido e estudado no âmbito do que se passou a denominar de "rupturas profundas e generalizadas na sociedade".

Embora a política tenha alcançado o objetivo de desacelerar o crescimento populacional, uma das ameaças mais significativas à economia da China hoje é o profundo desequilíbrio demográfico que resultou em um vasto número de aposentados idosos dependentes do estado ou de seus filhos para apoio e menos pessoas em idade produtiva. 

O Estado desconsiderou amplamente os custos humanos de longo prazo da política, incluindo desigualdade sustentada, desconfiança aprofundada no governo e a desestabilização da coesão social e da ordem política. De fato, mesmo depois que o governo suspendeu a política do filho único, a taxa de natalidade continuou seu rápido declínio, caindo pela metade entre 2016 (18,83 milhões de nascimentos) e 2023 (9,02 milhões). Isso se deveu em parte aos efeitos socioeconômicos duradouros da política.

Entre outras coisas, ela normalizou famílias pequenas e incutiu a crença de que ter muitos filhos poderia prejudicar as finanças e carreiras de um casal.

Uma das consequências mais devastadoras dessa política é a situação dos pais shidu, que sofreram a morte prematura do único filho que lhes foi atribuído pelo antigo sistema e não conseguem conceber outro. 

A cada ano mais de 76.000 pais se juntam a esse grupo, que enfrenta formas particularmente agudas de marginalização. Na cultura tradicional chinesa, os filhos oferecem realização emocional e segurança econômica para os pais idosos; eles também conferem valor social, cuja ausência pode levar ao ostracismo. 

Esses problemas são agravados pelo apoio estatal inadequado; pais idosos que perderam um filho único são elegíveis para um pagamento estatal único de cerca de US$ 4.600, uma fração do apoio financeiro que a maioria dos pais esperaria receber de seus filhos. Os pais shidu incorporam as consequências mais amplas da governança autoritária, que, ao priorizar o controle sobre o bem-estar, promove uma negligência sistêmica que aumenta as queixas sociais e pode, em última análise, contribuir para o fenômeno da vingança contra a sociedade.

O documentário “One Child Nation”, produzido pela Amazon Prime Video, explora as consequências nefastas da medida, que vão muito além da (já absurda) interferência estatal na vida privada das famílias. A política resultou em intimidação, esterilizações forçadas, abortos nas últimas semanas de gravidez, abandono de recém-nascidos, infanticídios e tráfico humano.  👈👈👈 Comentários sobre o filme neste link.

Desigualdades estruturais têm alimentado uma variedade de manifestações nos últimos anos: os pais shidu, por exemplo, protestam anualmente em frente à sede da Comissão Nacional de Saúde e Planejamento Familiar em Pequim para exigir que o estado cumpra suas promessas de cuidado e apoio; em 2022, as pessoas organizaram boicotes em massa de pagamentos de hipotecas para protestar contra uma crise imobiliária e manifestações de "papel branco" contra as medidas rígidas impostas pela política "zero COVID" da China. 

Respondendo a ataques violentos ou expressões em massa de descontentamento, o Partido, em uma sede de controle, historicamente confiou em algumas estratégias principais que provavelmente só se intensificarão. Entre as mais centrais estão a vigilância e o policiamento aprimorados

A já extensa infraestrutura de vigilância da China — reconhecimento facial avançado, pontuação de crédito social, monitoramento orientado por IA — está se expandindo ainda mais. Novas tecnologias, como o sistema Crowd Emotion Detection and Early Warning Device, que as autoridades afirmam poder analisar o comportamento e as emoções de grandes grupos de pessoas, podem ser usados para ajudar a detectar distúrbios, destacando os esforços do estado não apenas para responder aos ataques, mas para evitá-los completamente. 

Medidas adicionais, como maior presença policial perto de escolas e em espaços públicos e monitoramento intensificado durante períodos politicamente sensíveis, evocam os modelos de segurança em regiões como Xinjiang, onde o governo chinês reprime sistematicamente os uigures e outras minorias muçulmanas há anos no que se tornou um estado policial provincial de fato.

Como o sociólogo Xueguang Zhou observou, a abordagem do PCCh não depende apenas da mobilização, mas também da propaganda, que se encaixa na censura do partido e na gestão narrativa. A rápida exclusão de comentários críticos nas mídias sociais e a supressão do discurso público garantem que os ataques em massa sejam enquadrados como incidentes isolados, em vez de sintomas de falhas sistêmicas mais profundas. 

Ao controlar a narrativa, o PCCh busca evitar a indignação pública e incidentes de imitação, mantendo sua imagem de autoridade. Mas essas medidas pesadas, por sua vez, perpetuam sentimentos de alienação e agitação entre o povo chinês, aumentando o risco de mais ataques.

Wu Si, o ex-editor-chefe do periódico de história Yanhuang Chunqiu, disse que "regras ocultas" governam a sociedade chinesa — sistemas informais que "não são éticos nem inteiramente legais", mas sustentam a estrutura social. 

Mas a frequência crescente de vingança contra ataques à sociedade (próximo artigo) sugere que a indiferença do Partido a certos direitos e sua repressão à dissidência podem estar tendo um efeito não intencional: o aumento da violência que pode parecer apolítica à primeira vista, mas constitui uma rejeição desesperada do status quo político. E se o Partido não conseguir expandir as oportunidades econômicas e reduzir as desigualdades e injustiças estruturais, ele pode acabar se deparando com desafios maiores do que a vingança contra ataques à sociedade.

Como ja se disse no artigo anterior, a China está passando neste momento pela mudança mais profunda desde os anos de Mao.

30 maio 2022

AS REDES ANTISSOCIAIS

    Escrevi um artigo comentando a passagem do Elon Musk pelo Brasil. Nele a ênfase foi dada ao tema liberdade de expressão e a influência das redes sociais sobre os resultados eleitorais. Também foi mencionado o propósito já declarado das Big Techs, dentre eles a alteração da organização da sociedade, citando o que Zuckerberg escreveu, em 2012, quando abriu o capital do Facebook

"A tecnologia anterior levou a uma transformação completa de muitas partes importantes da sociedade ... O Facebook não foi originalmente criado para ser uma empresa. Na verdade, foi originalmente construído para realizar uma missão social ... As tecnologias passadas e seus inventores alteraram como a sociedade era organizada .... agora o Facebook fará o mesmo ... "

    Li também uma declaração de Kamala Harris, feita durante o funeral de uma das vítimas do tiroteiro ocorrido em Buffalo, NY ...  I do believe that our nation right now is experiencing an epidemic of hate.” ("... Acredito que nossa nação está passando por uma epidemia de ódio"). O suspeito tinha entrado num supermercado antes de abrir fogo e matar 10 pessoas. Ele transmitiu ao vivo o ataque pelas redes sociais.

    Isso me fez lembrar de estudos onde pesquisadores começaram a observar uma nova característica social. Que um número crescente de indivíduos, especialmente crianças e adolescentes, estavam agindo de forma estranha, com tendencias ao isolamento social e incapazes de completar suas tarefas básicas, por estarem sempre ligados a um portal da internet tentando encontrar o que o mundo estava dizendo nas redes sociais. Todos passando a agir como viciados.

    A atração dos flashes arquitetados pelo Google, Apple, Facebook, ... é muito grande, chegando ao ponto de alterar radicalmente até mesmo o comportamento off-line de seus usuários. O Facebook mais recentemente está permitindo a publicação de vídeos (Reels) pornográficos.

    Um estudo concluiu: "A mera presença do celular dos consumidores pode afetar negativamente o funcionamento cognitivo até mesmo quando os consumidores não estão conscientemente voltando sua atenção para ele". Na Grã-Bretanha se descobriu que os usuários checam seus celulares 221 vezes por dia (uma vez a cada 4,3 minutos).

    Portanto, depois de viciar a população em suas plataformas e serviços, minerar os dados pessoais dos cidadãos e submeter os usuários a uma manipulação sem fim, as Big Tech, de fato, já alteraram como a sociedade passou a se organizar e sofrendo suas consequências em potencial: taxas crescentes de depressão, especialmente entre crianças e adolescentes; um aumento drástico no suicídio juvenil; e uma perda tangível de relações humanas significativas, à medida que as pessoas se afastam uma das outras em prol de seus celulares.

    E o pior está relacionado às crianças. Mas esses dados e respectiva análise serão tratados oportunamente.


PS.: Lembrei-me também do que disse Janon Lanier: (...) "O que quer que uma pessoa possa ser, se você quer ser uma, delete suas contas nas redes sociais",


Atualizado em 06/11/2025.