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31 maio 2025

A queda do fascismo na Itália

    Em 25 de julho de 1943 o Grande Conselho do Fascismo depôs Benito Mussolini, o rei mandou prendê-lo e o substituiu pelo marechal Pietro Badoglio, que passou a ser o novo Chefe de Estado. Foi a queda do fascismo. 

Os nazistas libertaram Benito Mussolini da prisão em 12 de setembro de 1943, durante a denominada Operação Carvalho, mas não conseguiram impô-lo no poder. Mussolini foi novamente capturado em 27 de abril de 1945 por partisans (resistentes italianos) enquanto tentava fugir para a Suíça com sua amante Clara Petacci, disfarçado como soldado alemão. No dia seguinte, 28 de abril de 1945, Mussolini e Clara foram executados por fuzilamento perto da vila de Dongo, no norte da Itália.

    Retornando. Em 8 de setembro de 1943, uma proclamação do marechal Badoglio, divulgada pelo rádio, revelou o armistício selado cinco dias antes, em grande sigilo, com os americanos. O rei, toda a corte, todo o governo e todo o Estado-Maior do Exército fugiram vergonhosamente de Roma, abandonando os italianos, soldados e civis, à mercê dos alemães e do destino. De fato, a Itália passou a estar em guerra com a Alemanha, até o dia anterior sua aliada. Os alemães a ocuparam como se ocupa um país inimigo. Os nazistas se apoderaram de Salermo e de Nápoles, os soldados do Reich foram autorizados a atirar na multidão em caso de aglomeração, orientados ao roubo, ao saque, ao incêndio e foi declarado o estado sítio.

    Em 25 de abril de 1945, a Itália foi liberada do nazi-fscismo. Após o término da guerra, realizaram-se, em 2 de junho de 1946,  as primeiras eleições livres depois de 25 anos. Votou-se para escolher entre a monarquia ou a república e para a assembleia constituinte. A república venceu e foi a primeira vez que as mulheres votaram.

    Por poucos meses, democratas-cristãos, comunistas e socialistas governaram o país juntos. Mas logo o vento mudou. Muitos fascistas acusados de crimes graves foram libertados depois de uma anistia geral. Formou-se o primeiro governo monopartidário democrata-cristão do qual foram excluídos os comunistas, e as eleições de 1948 transcorreram em clima de inimizade entre os italianos que combateram o fascismo sonhando com a revolução e os que no momento tinham pesadelo dela.

    A democracia-cristã governou a Itália pelos próximos quarenta anos, os americanos lhe deram apoio, o Santo Ofício excomungou os comunistas, o país entrou na Otan, e o economista liberal Luigi Einaudi foi eleito presidente da república.

    Pelas informações expostas acima, e tendo em vista que a A Força Expedicionária Brasileira (FEB) embarcou para a Itália durante a Segunda Guerra Mundial somente em julho de 1944, com os primeiros soldados partindo em 2 de julho de 1944. No total, cerca de 25 mil soldados brasileiros participaram da campanha na Itália, lutando ao lado dos Aliados.

    Portanto, quando a FEB chegou à Itália em 1944, a Alemanha nazista era inimiga tanto do Brasil quanto da Itália (no caso da Itália, o governo legítimo aliado dos britânicos e americanos). As tropas brasileiras lutaram principalmente contra forças alemãs e alguns remanescentes fascistas italianos no norte do país.

19 abril 2025

28 de abril de 1945 - Benito Mussolini morreu fuzilado

    Benito Mussolini foi capturado em 27 de abril de 1945 por partisans (resistentes italianos) enquanto tentava fugir para a Suíça com sua amante Clara Petacci, disfarçado como soldado alemão. No dia seguinte, 28 de abril de 1945, Mussolini e Clara foram executados por fuzilamento perto da vila de Dongo, no norte da Itália.

    Após a execução, os corpos deles foram levados para Milão e pendurados de cabeça para baixo em uma praça pública (Piazzale Loreto), como forma de humilhação e vingança popular. Essa imagem se tornou icônica e muitas vezes leva à confusão sobre o método da morte — mas o que matou Mussolini foi o fuzilamento, não o enforcamento.



    Vinte anos antes, em 28 de fevereiro de 1925, Mussolini havia escrito:

"Apenas na silenciosa coordenação e todas as forças, sob as ordens de um só homem, está o segredo perene de todas as vitórias ... Melhor as legiões do que os colégios [eleitorais]!".

    Dois dias depois, na Alemanha, seu admirador e parceiro Adolf Hitler teve destino similar. Desde 1920, Hitler que anteriormente projetava golpes de Estado nas cervejarias de Munique, e havia ajudado a criar o Partido Nacional Socialista, agia, declaradamente, sob inspiração do modelo fascista. Em 1930 o foco do partido mudou para antissemita e antimarxistas.

"Se fosse dado à Alemanha um Mussolini alemão ... o povo se ajoelharia para adorá-lo mais do que jamais com o próprio Mussolini." - Adolf Hitler, em entrevista ao Daily Mail, no dia 2 de outubro de 1923.




As semelhanças entre regimes ditatoriais

    Em regimes ditatoriais, a censura costuma ser uma das primeiras medidas adotadas pelos ditadores. Isso acontece porque o controle da informação é fundamental para manter o poder e evitar a organização de qualquer oposição. A censura não é apenas uma consequência da ditadura, mas uma de suas ferramentas essenciais desde o início.

    Por meio dela, os ditadores procuram: 

i) moldar a forma como os acontecimentos são interpretados pela população, promovendo apenas versões oficiais dos fatos; 

ii) impedir que jornais, rádios, TVs, livros e as redes sociais divulguem críticas ao regime para eliminar a contestação pública; 

iii) silenciar os seus opositores que poderiam influenciar a opinião pública contra o governo.

    Da mesma forma que no Brasil atual se encontram semelhanças com o governo fascista de Mussolini na Itália, o mesmo ocorre com o nazismo vigente na Alemanha entre 1933-1945.

    Na Alemanha, no dia seguinte ao incêndio do Reichstag, 28 de fevereiro de 1933, uma espécie de 8 de janeiro, o recém-eleito chanceler Adolf Hitler persuadiu o presidente Hindenburg a assinar um decreto “pela proteção do povo e do Estado suspendendo as sete seções da Constituição que garantiam as liberdades individuais e civis. Apresentado como “medida defensiva contra os atos de violência dos comunistas que punham em perigo o Estado”, o decreto estabelecia:

“Restrições à liberdade pessoal, ao direito de livre manifestação de opinião, inclusive a liberdade de imprensa, ao direito de reunião e de associação; violações das comunicações privadas postais, telegráficas e telefônicas; e mandados de busca domiciliar, ordens de confisco, bem como restrições à propriedade também são permitidos além dos limites legais prescritos em outras circunstâncias.”

    Hitler era um admirador e seguidor de Mussolini, e dez anos antes, em 2 de outubro de 1923, disse em entrevista ao Daily Mail: "Se fosse dado à Alemanha um Mussolini alemão ... o povo se ajoelharia para adorá-lo mais do que jamais com o próprio Mussolini."

    A Lei de Imprensa do Reich, promulgada em 4 de outubro de 1933, transformou o jornalismo em uma profissão regulamentada pelo Estado. 

Tá na rede!
    O exercício da função passou a exigir cidadania alemã, ascendência ariana e a proibição de casamentos com judeus. O artigo 14 da legislação estipulava que os editores deveriam impedir a publicação de qualquer material que pudesse confundir a opinião pública (“desordem informacional”), contrariar os interesses do Estado ou enfraquecer a força interna e externa do Reich, sua unidade nacional, defesa militar, cultura ou economia. A norma serviu para silenciar veículos e jornalistas opositores ou os que se recusavam a aderir ao regime.

    Ambos, Mussolini e Hitler, morreram em abril de 1945, poucos dias antes do final da Segunda Guerra Mundial.

Ditaduras: As semelhanças entre o passado da Itália e o Brasil de hoje

    


    21 de abril é uma data histórica e simbólica. Para os brasileiros, comemora-se o Dia de Tiradentes e que representa a luta pela liberdade e pela independência do Brasil; também, a partir de 1960, a inauguração da Nova Capital, Brasília, cuja concepção urbana está descrita aqui.

    Na Itália, celebra-se o aniversário de Roma, fundada  por Rômulo em 21 de abril de 753 a.C, segundo a lenda romana. A história registra também que lá o 21 de abril, embora não tenha relação direta com a origem do fascismo, foi usado por Benito Mussolini como um símbolo ideológico — uma forma de reivindicar a herança da Roma imperial e projetar o fascismo como o sucessor da antiga glória romana. Por exemplo, em 21 de abril de 1937, foi inaugurada a "Mostra Augustea della Romanità", celebrando 2.000 anos do nascimento do imperador Augusto — uma mostra que exaltava a continuidade entre o Império e o regime fascista.

"Apenas na silenciosa coordenação e todas as forças, sob as ordens de um só homem, está o segredo perene de todas as vitórias ... Melhor as legiões do que os colégios [eleitorais]!", escreveu Benito Mussolini, em 28 de fevereiro de 1925.

 

Águia romana
frequentemente usada para
evocar o Império Romano
    Cartazes comemorativos do 21 de abril mostravam muitas vezes gladiadoreslegionáriosbandeiras com SPQR (Senatus Populusque Romanus) e imagens de multidões saudando Mussolini. Trazia o 21 de abril como o renascimento da pátria — não só celebrando a fundação de Roma, mas também o “renascimento” da Itália sob o fascismo.

    Nesta data, em 1925, portanto há 100 anos, os intelectuais fascistas italianos divulgaram seu Manifesto aos intelectuais de todas as nações, concebido pelo filósofo Giovani Gentile. Contou com 250 signatários - poetas, músicos, pintores, catedráticos, literatos -, nomes entre os mais influentes da cultura nacional. 

    Todavia, 10 dias mais tarde, no Primeiro de Maio, foi publicado um contramanifesto, redigido por Benedetto Croce, o mais respeitável filósofo italiano e que contou com inúmeras assinaturas de escritores, professores e publicitários.




    Fascismo tornou-se tema obrigatório nos dias de hoje em nosso País. Isto por conta das semelhanças entre os acontecimentos na Itália daquela época e os do Brasil de hoje. Entre eles - censura, buscas domiciliares, prisão e morte de "subversivos", controle de redes telefônicas, do rádio e do cinema - (as redes sociais de antigamente).

Então... existe fascismo no Brasil hoje?


    Sob o ponto de vista acadêmico e mais rigoroso não, porque falta um regime autoritário total e um partido único, entre outros elementos. Contudo, sob uma visão ampla e comparativa sim, pois há práticas com traços fascistas, de uma tendência autoritária que resgata aspectos do fascismo histórico. Sob o ângulo político e ideológico às vezes o termo é usado como insulto para deslegitimar adversários, sem compromisso conceitual. 

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PS.: Como não poderia ser diferente, o Brasil atual também guarda semelhanças com o nazismo. Na Alemanha, no dia seguinte ao incêndio do Reichstag, 28 de fevereiro de 1933, uma espécie de 8 de janeiro, o recém-eleito chanceler Adolf Hitler persuadiu o presidente Hindenburg a assinar um decreto “pela proteção do povo e do Estado suspendendo as sete seções da Constituição que garantiam as liberdades individuais e civis. Ambos, Mussolini e Hitler, morreram em abril de 1945, poucos dias antes do final da Segunda Guerra Mundial.

21 fevereiro 2025

Tribunais políticos. Durante o Terceiro Reich e no Brasil atual


 

    Noventa anos depois, no Brasil, mutatis mutandis, a história está se repetindo ao se trocar a palavra judeus por bolsonaristas. Independentemente da denominação dada ao regime vigente neste momento aqui no Brasil, qualquer que seja o nome escolhido, no seu significado, obrigatoriamente, constará, em primeira opção, regime totalitário. Os fatos em grande quantidade corroboram essa escolha, ao quais se somam mais um: o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao STF para o indiciamento de Jair Bolsonaro, sob a tutoria do "juiz" Alexandre de Moraes. 

    Senão vejamos. A denúncia da PGR nos faz lembrar de um outro evento ocorrido no século passado com semelhanças com o nosso 8 de janeiro. Trata-se do incêndio do Reichstag, em 27 de fevereiro de 1933, em Berlim, que havia sido provocado pelos nazistas para justificar a supressão das liberdades individuais que se seguiu.

    Na sequência, foi instituído, por Adolf Hitler, o "tribunal do povo", Volksgerichtshof (VGH), em alemão,  um tribunal político que esteve ativo na Alemanha entre 1934 e 1945, tendo sido responsável pelo julgamento de acusados de crimes de alta traição e atentado contra a segurança do Estado, praticados pela resistência alemã durante o regime nazista.

    Terminada a Segunda Guerra Mundial, o tribunal alemão é tristemente lembrado pelo grande número de condenações pronunciadas em seus poucos anos de existência, sobretudo entre 1942 e 1945, sob a presidência do juiz Roland Freisler, cuja atuação é tida como exemplo de desvio da lei (Rechtsbeugung) e submissão da justiça ao terror organizado de Estado, sob o nazismo.

Segundo escreveu Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy

[ ... ] "Roland Freisler é o mais acabado exemplo de juiz nazista e fanático, que confundia as funções de acusação e de julgamento. Brutal e sarcástico, Freisler era menos um juiz do que um jurista do partido ao qual servia. Crítico de qualquer concepção jurídica liberal, Freisler insistia na inafastabilidade dos conceitos de Povo, Jurista e Direito; o Direito, na concepção de Freisler, deveria substancializar o espírito do nacional-socialismo (Den Geist des Nationalsozialismus). É um juiz de triste memória."

    Mais semelhanças entre o Terceiro Reich e o Brasil atual, podem ser encontradas nesses dois artigos: "Hitler e Lula. O nazismo e o petismo são iguais?" e "Um Brasil mais nazista".

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15 novembro 2024

Tribunais políticos. Durante o Terceiro Reich e no Brasil atual

Ives Gandra: “STF atualmente é um tribunal político”

Na Alemanha, foi instituído, por Adolf Hitler, o "tribunal do povo", Volksgerichtshof (VGH), em alemão,  um tribunal político que esteve ativo na Alemanha entre 1934 e 1945, tendo sido responsável pelo julgamento de acusados de crimes de alta traição e atentado contra a segurança do Estado, praticados pela resistência alemã durante o regime nazista.

Entre 1942 e 1945, sob a presidência do juiz Roland Freisler, cuja atuação é tida como exemplo de desvio da lei (Rechtsbeugung) e submissão da justiça ao terror organizado de Estado, sob o nazismo.

Segundo escreveu Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy

[ ... ] "Roland Freisler é o mais acabado exemplo de juiz nazista e fanático, que confundia as funções de acusação e de julgamento. Brutal e sarcástico, Freisler era menos um juiz do que um jurista do partido ao qual servia. Crítico de qualquer concepção jurídica liberal, Freisler insistia na inafastabilidade dos conceitos de Povo, Jurista e Direito; o Direito, na concepção de Freisler, deveria substancializar o espírito do nacional-socialismo (Den Geist des Nationalsozialismus). É um juiz de triste memória."

O artigo de J. R. Guzzo, "Cinco cenas do Brasil", publicado na Revista Oeste deste final de semana, revela fatos de decisões judiciais do STF que violam a nossa Constituição, a lógica comum e o entendimento básico do conceito de senso moral, que fazem lembrar o ocorrido no já citado tribunal alemão. Segundo Guzzo, 

"As afirmações listadas, sem nenhuma exceção, são fatos objetivos, públicos e confirmados — fatos, única e exclusivamente fatos, sem nenhum tipo de opinião ou de julgamento. Todos eles ocorreram por decisão do ministro Alexandre de Moraes, com a concordância e o apoio do Supremo Tribunal Federal, a máxima Corte de Justiça em funcionamento no Brasil. Esses fatos, também sem exceção, revelam decisões judiciais que violam a Constituição, a lógica comum e o entendimento básico do conceito de senso moral.

Os fatos relatados fornecem um retrato suficiente do que está ocorrendo no Brasil de 2024, à frente de todos e com a aprovação formal das lideranças da Câmara e do Senado, da maior parte da mídia e das classes culturais. São considerados por todas elas como sendo ações indispensáveis para a democracia, as instituições nacionais e o Estado de Direito."

Os cinco casos relatados por Guzzo são os do autista Jean de Brito, da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, do ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins, do empresário Roberto Mantovani e do Cleriston da Cunha, este falecido na prisão (Papuda). Todos eles guardam proximidade do que ocorreu no "tribunal do povo", Volksgerichtshof (VGH), durante o período da Alemanha nazista.



Outras semelhanças. Desta vez vindas do Palácio do Planalto

Em julho de 2023, (21/07), Lula anunciou o encaminhamento ao Congresso de dois projetos de lei, como parte de um "Pacote da Democracia", que prevêem endurecer penas para quem atentar contra o Estado Democrático de Direito e a adoção de sanções financeiras contra suspeitos de financiar atos antidemocráticos.



21 julho 2023

Tribunais políticos. Durante o Terceiro Reich e no Brasil atual

As semelhanças entre o Brasil atual e o período alemão do Terceiro Reich vão emergindo dia a dia. Entremeadas entre elas, surgem também semelhanças  com regimes comunistas, ao ponto do nosso vice-presidente Geraldo Alckmin ter sido chamado de Fidel Castro, nosso camarada.

Mas retornemos apenas às semelhanças com o Terceiro Reich. Sobre o tema já foram escritos dois artigos: "Hitler e Lula. O nazismo e o petismo são iguais?" e "Um Brasil mais nazista".

A provocação para se escrever mais um artigo sobre o mesmo tema dos já escritos, surgiu a partir do equívoco cometido pela atual presidente do STF, ministra Rosa Weber. Há uma semana, no último dia 14, durante o Seminário e Encontro Nacional da Associação de Advogados e Advogadas pela Democracia, Justiça e Cidadania (ADJC),  a magistrada comparou os atos de vandalismo de 8 de janeiro, em Brasília, com o ataque da Marinha Japonesa aos EUA, na base de Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941. Disse a ministra:

“O presidente Franklin Roosevelt, em 8 de dezembro de 1941, perante o Congresso Norte-Americano, ao reagir ao ataque aéreo japonês, deflagrado na véspera, contra as Forças Navais Norte-Americanas, em Pearl Harbor, no Havaí, disse que aquela data, 7 de dezembro de 1941, pelo caráter traiçoeiro da agressão, viveria eternamente na infâmia. Para nós, 8 de janeiro de 2023 será eternamente o Dia da Infâmia. E não deixaremos ser esquecido, na defesa da democracia constitucional e do Estado Democrático de Direito”.

Não iremos entrar em detalhes sobre os fatos subsequentes ao referido ataque, mas pode se dizer, sem nenhuma dúvida, que os dois eventos não guardam nenhuma semelhança, embora, ambos, devam ser condenados ao longo da história.

Contudo, há um outro evento ocorrido no século passado com semelhanças, pelo menos até o momento, com o nosso 8 de janeiro. Trata-se do incêndio do Reichstag, em 27 de fevereiro de 1933, em Berlim, que havia sido provocado pelos nazistas para justificar a supressão das liberdades individuais que se seguiu.

Na sequência, foi instituído, por Adolf Hitler, o "tribunal do povo", Volksgerichtshof (VGH), em alemão, um tribunal político que esteve ativo na Alemanha entre 1934 e 1945, tendo sido responsável pelo julgamento de acusados de crimes de alta traição e atentado contra a segurança do Estado, praticados pela resistência alemã durante o regime nazista.

Ives Gandra: “STF atualmente é um tribunal político”

O tribunal alemão é tristemente lembrado pelo grande número de condenações pronunciadas em seus poucos anos de existência, sobretudo entre 1942 e 1945, sob a presidência do juiz Roland Freisler, cuja atuação é tida como exemplo de desvio da lei (Rechtsbeugung) e submissão da justiça ao terror organizado de Estado, sob o nazismo.

Segundo escreveu Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy

[ ... ] "Roland Freisler é o mais acabado exemplo de juiz nazista e fanático, que confundia as funções de acusação e de julgamento. Brutal e sarcástico, Freisler era menos um juiz do que um jurista do partido ao qual servia. Crítico de qualquer concepção jurídica liberal, Freisler insistia na inafastabilidade dos conceitos de Povo, Jurista e Direito; o Direito, na concepção de Freisler, deveria substancializar o espírito do nacional-socialismo (Den Geist des Nationalsozialismus). É um juiz de triste memória."

Outras semelhanças. Desta vez vindas do Palácio do Planalto

Nesta sexta-feira (21/07), Lula anunciou que vai encaminhar ao Congresso dois projetos de lei, como parte de um "Pacote da Democracia", que prevêem endurecer penas para quem atentar contra o Estado Democrático de Direito e a adoção de sanções financeiras contra suspeitos de financiar atos antidemocráticos.

13 julho 2023

‘Vamos perder qualquer resquício de liberdade no Brasil’, alerta advogado de presos do 8/1

É bastante importante essa entrevista do advogado Claudio Caivano e ela torna-se mais impactante para a sociedade brasileira, para a democracia no Brasil, quando, aos 13':50" ele compara o STF ao Tribunal do Povo, Volksgerichtshof (VGH), em alemão, um julgador de opositores políticos, criado por Hitler após o episódio do incêndio do Reichstag, em 27 de fevereiro de 1933, que havia sido provocado pelos nazistas para justificar a supressão das liberdades individuais que se seguiu.


Volksgerichtshof (VGH) 

O Tribunal é tristemente lembrado pelo grande número de sentenças de morte (mais de 5000) pronunciadas em seus poucos anos de existência, sobretudo entre 1942 e 1945, sob a presidência do juiz Roland Freisler, cuja atuação é tida como exemplo de desvio da lei (Rechtsbeugung) e submissão da justiça ao terror organizado de Estado, sob o nazismo.

O domínio de Freisler sobre textos legais, agilidade mental, força verbal, além de intensa atuação dramática no tribunal, em combinação com sua conversão zelosa à ideologia nazista, fizeram dele o juiz mais temido da Alemanha e a personificação do nazismo na lei doméstica. Um mês após a deflagração da II Guerra Mundial, Freisler introduziu o conceito de “criminoso juvenil precoce” no Decreto de criminosos juvenis.

Mais semelhanças

Hitler nomeou Freisler presidente do Tribunal Popular. Ele presidiu essa corte vestindo um vistoso manto judicial, em uma sala de audiência enfeitada com estandartes cobertos com suásticas escarlates e um grande busto da cabeça de Adolf Hitler esculpida em negro, montada em um alto pedestal atrás de sua cadeira. Ele abria cada sessão de audiência com a saudação nazista e atuou como promotor, juiz e júri juntos

A condução dos casos por Freisler foi muito além das regras de procedimento e do código de conduta dos juízes e, portanto, representou uma forma grave de perverter a lei.

Para Freisler, o Tribunal Popular era expressamente um “tribunal político”. Nos julgamentos ele humilhava os acusados, mal os ouvia e os interrompia constantemente.

Roland Freisler é exemplo de um Judiciário absolutamente dependente do poder, durante um estado de exceção, no qual o julgador também é acusador

Freisler morreu no tribunal, presidindo uma sessão de julgamento por traição, em 3 de fevereiro de 1945, quando uma bomba jogada pelos aliados atingiu o edifício no qual funcionava o Tribunal.




09 julho 2023

Hitler e Lula. O nazismo e o petismo são iguais ?

Segundo Napoleão Bonaparte, são os homens de imaginação, antes que os líderes políticos e militares, quem determinam em última análise o rumo dos acontecimentos que, de acordo com a clássica hipótese trifuncional de Georges Dumézil, pode ser exposta como:

  • poder pollíco-militar - o poder dos nobres e guerreiros;
  • poder econômico -  o poder dos produtores e comerciantes; e o
  • poder ideológico-cultural -  o poder dos sacerdotes, clérigos e intelectuais.

É inevitável, portanto, que se presencie o triste espetáculo protagonizado por intelectuais brasileiros nos últimos 40-50 anos e, especialmente, nesta década e meia de regime lulopetista. Em todo esse período, a corrupção da inteligência mostrou-se bastante gritante.

Mas neste artigo, em particular, não trataremos  do grave problema convivido nessas décadas por frequentadores de universidades, colégios, editoras e redações. Isto ficará para uma outra oportunidade quando será comentado o processo que - no Brasil - perverteu a produção artística e intelectual, abrindo às idéias marxistas a todos os setores da vida: das rodas de samba à Academia Brasileira de Letras, dos sindicatos às universidades, das associações de bairro ao Palácio do Planalto, dos terreiros de umbanda à CNBB - uma teia de controle ideológico que abarca a programação televisiva, as políticas editoriais, a escola de nossos filhos, a filosofia e a teologia, a produção literária e os comentaristas das rádios, da Web e dos jornais.

Aqui se deseja mostrar as principais semelhanças existentes entre Lula e Hitler, talvez abordada /ou escrita pela primeira vez, apontadas por Flávio Gordon em seu livro "A corrupção da inteligência" (2017 e 2022), a partir do que foi descrito sobre Hitler, por Eric Voegelin, em seu livro "Hitler e os alemães" e por Hannah Arendt no livro "Eichmann in Jerusalem" (1964). Os três livros se encontram à venda.

De início, Gordon já diz que o nazismo e o petismo não são iguais. Que não está afirmando que A é igual a B, senão que A está para X assim como B está para Y. O que ele sugere não é o estabelecimento de uma relação entre os termos tomados em si mesmo, mas uma correlação, ou comparação entre relações: a relação da sociedade alemã com o nazismo e a relação da sociedade brasileira com o lulopetismo.

Voegelin explica como fora possível a chegada de uma figura como Hitler ao poder na Alemanha; ou, em outras palavras, o que houvera de corrompido na sociedade alemã da época para que tivesse se permitido representar por aquele homem e seus asseclas.

Voegelin desmantela as explicações recorrentes que apelam ao caráter pretensamente excepcional da personalidade de Hitler, enfatizando, ao contrário, sua representatividade social. "Nem gênio nem demônio, Hitler unia uma inteligência pragmática a uma perfeita estupidez moral, traço este que o Führer partilhava com o alemão médio dos anos 1930". 

"Tudo o que é preciso para o triunfo do mal é que nada façam os homens de bem" (Edmund Burke)

Os principais alvos da critica de Voegelin não são Hitler e seus seguidores fanáticos, mas sobretudo os intelectuais superiores, que, por um sem-números de ações e omissões, permitiram que a Alemanha chegasse até onde chegou e que foi descrito por Arendt no livro já citado.

O objeto de Voegelin foi investigar "a culpa dos inocentes", a misteriosa cumplicidade no mal daqueles que não parecem ser maus e que essa cumplicidade não pode ser encarada como uma fatalidade do destino ou produto dos condicionantes históricos e culturais, uma vez que, em meio àquele contexto de corrupção política e institucional, houve muitos alemães ilustres que tomaram a decisão moral de resistir ao projeto nazista, segundo o Flávio Gordon.

Olhando para o Brasil, Gordon escreveu: 

[ ... ] "o contexto alemão dos anos 1930 pode servir de paralelo para a compreensão da ascensão do lulopetismo ao poder no Brasil. Como foi possível? Quais segmentos sociais  agiram ou deixaram de agir para um tipo como Lula - sujeito sem caráter ou princípios, tal como reconhecido até mesmo por alguns de seus ex-companheiros de partido - ganhasse estatuto de grande estadista e símbolo pátrio?"

[ ... ] "Ocorreu no Brasil um fenômeno curiosamente parecido com o que foi descrito para a Alemanha nazista:  ...

... praticamente não houve instituição brasileira (aí incluídas a Igreja e as Forças Armadas) que, por ação ou omissão, não tenham colaborado com o projeto petista de poder, a despeito das recorrentes demonstrações de sectarismo e mentalidade totalitária por parte dos altos quadros do Partido dos Trabalhadores. ... 

... Logo, é perfeitamente compreensível e justificada a descrença generalizada que os brasileiros exibem hoje em face das instituições e não apenas do Estado."

[ ... ] "Tanto na Alemanha como no Brasil, a corrupção político institucional foi precedida e possibilitada pela corrupção da inteligência."

 [ ... ] "Lula não é e nunca foi um político particularmente brilhante. Ardiloso, isso sim, e malandro, seu sucesso deveu-se muito mais aos seus vícios - a sua mais completa amoralidade, por exemplo - que às suas virtudes". 

[ ... ] "Lula partilha com Hitler um traço de personalidade que os distingue de quase todos os grandes líderes políticos e militares da história: uma autopiedade histriônica e sentimentaloide, nada compatível com têmpera de um grande estadista." 

[ ... ] "Portanto, Hitler e Lula não impressionaram por terem sido excepcionais, mas representativos, - homem massa -. Contudo, são apenas dois homens medíocres, movidos por um orgulho doentio e pela crença totalmente irreal na própria grandeza." 

Ninguém menos que o próprio Lula reconheceu a sua admiração por Hitler ao afirmar: "O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer",  de acordo com sua entrevista a revista Playboy, julho de 1979.

Adicionalmente ao que foi exposto acima, as semelhanças, as correlações entre os dois personagens não param por aí.

Por exemplo, Hitler chegou ao poder através de eleições. Lula também, inclusive chegando a afirmar que "a eleição é uma “farsa” pela qual é preciso passar a fim de se chegar ao poder".